O partido Frelimo encerrou este fim-de-semana na cidade da Matola a IV sessão ordinária do Comité Central. Esta é a primeira reunião de vulto que o partido Frelimo realiza sob liderança de Daniel Francisco Chapo e Chakil Aboobakar recentemente eleito Secretário-geral do partido.
Internamente a expectativa em torno do que o encontro poderia produzir era maior na medida em que a sessão acontece numa altura em que o partido conhece uma das maiores crises de aceitação nas bases populares; espera-se que as mudanças no secretariado possam permitir o funcionamento e os desdobramentos na implementação estratégica.
As manifestações em vigor são apontadas como alguma antecâmara de um futuro ainda mais sombrio do partido no contexto político nacional; de perto denota-se-lhe um certo descrédito nas massas incluindo algum sentimento de ódio e desilusão dos moçambicanos que se vêem de certa maneira enganados pelo partido porque, alegadamente, depois da independência desviou-se das suas ideias quando tomado por uma elite ambiciosa que usa o partido para fins obscuros; verdade ou não, a maioria dos membros do Comité Central que falou a imprensa durante e no final da reunião mostrou-se optimista com o futuro da Frelimo diante da liderança de Daniel Chapo.
Um dos aspectos apontados como algo diferente nos debates internos do partido resgatado pela nova liderança “é que Daniel Chapo deixa as pessoas falarem”; mas, seja como for, desde a independência nacional, o partido Frelimo colocou a juventude em frente dos seus principais pilares decisórios, como se pode constatar presentemente, coincidente -mente numa altura politicamente sensível para o partido dada a necessidade de mudanças impostas pelas novas dinâmicas, sobretudo da ordem tecnológica. A liderança de Daniel Chapo dá sinais de algum comprometimento e sensibilidade com as novas dinâmicas sobre as tic’s.
Apesar de a juventude tomar o topo decisório, a Frelimo também é um partido de adultos, com uma forte influencia sobre os lideres, sobretudo sob ponto de vista de know how e capital (financeiro). A dado momento do seu discurso, Daniel Chapo referiu-se a necessidade de “sair fora da caixa” e reflectir sobre os desafios do país. “Devemos estar mais abertos ao debate, à crítica e autocrítica, evitando colocarmo-nos numa posição defensiva”, declarou.
Os consensos recentes aparentemente alcançados com Venâncio Mondlane permitiram também um alivio na governabilidade e relaxou a pressão dos camaradas sobre a liderança, que parecia perder o comando com as bases que reclamavam uma indicação clara do futuro político nacional vindo do topo.





